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Em Alto Mar, passando pelo Canal de Beagle e Estreito de Magalhães, 25 de março de 2008.

Bom, o primeiro dia de “vida normal” a bordo não começou nada bem... No café da manhã mesmo eu já passei mal denovo, enjôos e tal... Nada pára no meu estômago, eu simplesmente vomito tudo! É um mal estar do caramba, só consigo dormir e vomitar, vomitar e dormir, a ordem nem sempre é a mesma...

 

Fui tomar o café da manhã no Deck 8, pela PRIMEIRA VEZ, e o bicho tava pegando... As ondas chegaram a 15 metros, o navio balançou muito e não preciso dizer que dessa vez eu não consegui chegar até o banheiro... Vomitei a primeira vez no meio do povo mesmo, no restaurante e depois de mais uns 2 ou 3 episódios, que consegui chegar até o banheiro mais próximo, acabei desistindo e voltando pra cabine pra tomar um Dramin e ver se passava...

 

Fiz isso, só dormi a tarde toda e vomitei... Até que chegou num ponto que nada mais existia dentro do meu estômago, então, para evitar maiores constrangimentos, decidi me “auto-confinar” e pedir a janta na cabine mesmo, pra não vomitar no povo.

 

Demorou horrores... Os casos de passageiros contaminados só aumentam e ouvi rumores de que estaríamos já em “Código 3”, ou seja, aproximadamente umas 300 pessoas confinadas por suspeita da contaminação do vírus. Nesses casos, parece que a Royal se reserva o direito de, ao parar num port-of-call, como será o caso de Punta Arenas, na quinta-feira, dia 27 de março, não deixar nenhum passageiro sair do navio. Afinal de contas, estamos todos sob a responsabilidade deles, então, um surto dessa porcaria de vírus trazida por um navio da companhia, poderia trazer sérios prejuízos pra eles... Mas vou rezar para que isso não ocorra e eu possa sair para ver os pingüins pelo menos em Punta Arenas!

 

Depois de jantar na cabine e vomitar denovo, me arrumei (como pude, porque a idéia era outra, mas no estado em que me encontrava, nem isso eu conseguia fazer direito!) e saí pra ver se tinha alguém fazendo alguma coisa. Assisti o show da noite, uma tal de Elaine Leslie, cantora inglesa, uma voz linda, mas o modelito era de tirar o chapéu – a mulher conseguia ser mais gorda que eu e tava num vestidinho prateado curtíssimo, sem noção – cantou algumas músicas bem conhecidas até... Depois, fui pra festa Rock and Roll. Lá finalmente encontrei a Carol, a guria que o meu ex colega da ESPM, o Gornatti tinha me dito pra procurar, que trabalhava nesse navio, para pedir umas dicas pra ela sobre como vir trabalhar aqui e tal... Ela é muito gente boa, trabalha no Entertainment Staff, conversou um pouco comigo... Teve até concurso de dança, um casal de porto riquenhos ganhou. Como disse um guri que eu conheci, o Marcos, ele e a Sassá (Cláudia), ambos de São Paulo, que são um dos poucos que se aproximam da minha idade que são passageiros e não tripulação, o navio era temático e ninguém  nos avisou: quarta idade, nem terceira é mais! AHAHAHAHA.

 

Ainda bem que os conheci, pelo menos renderam boas risadas no Viking Crown Lounge (a boate, que às 2 da manhã nos correram, porque só tinha a gente lá e mais uma inglesa de 18 anos, a Emma, e um Canadense de 19, que não consigo me lembrar do nome!)... Acabei “esquecendo” do encontro que tinha marcado com o Witold, porque fiquei assistindo os velhos dançarem e quando me dei conta, já tinha passado muito da hora... Enfim, acho que vou encontrá-lo por aí, nem que seja na casa de máquinas!!! HAHAHAHAHA

 

Então, apesar de não estar 100% (aliás, faz tempo que não sei o que é isso!), a noite rendeu boas risadas... Esse casal de SP é muito legal, essa inglesa aí completamente louca e depois surgiu um americano, de Ohio, que também não lembro o nome, que era gente boa. Ficamos até a hora do café abrir acordados, brincamos até de Titanic – apesar do frio de uns 5 graus que tava na rua e um vento do cão – tomamos café (só a gente no navio, não preciso dizer isso, né?!) e depois fomos pros nossos quartos... Também não preciso dizer que cheguei no quarto e, apesar do mar estar tranqüilo, o meu estomago não resistiu à tanta emoção e movimentação e, mais uma vez, tudo pra fora... Tomei um Dramin (que agora não faz mais do que me dar sono) e dormi, até a hora que me acordei com os “Announcements” do Capitão, dizendo que estávamos passando pelo Glaciar Brujos.

 

Lindo aquilo! Um monte de pedras de gelo (pequenos icebergs) perdidas pelo mar e o pessoal do navio foi até o Glaciar de bote (aqueles que, supostamente, servem pra salvar as pessoas caso o navio afunde) para pegar uma pedra de gelo gigante, direto do iceberg, para servir no drinque da noite. Bem coisa de americano sem noção! Mas foi engraçado, consegui ver tudo isso da janela da minha cabine... Não conseguia sair, muito medo de passar, mal, cansada, olhos inchados e vermelhos, fraca... Eu até estava cogitando a idéia de ir até o Rio pelo menos e não ficar em Bs. Aires para poder aproveitar mais, visto que isso não foi possível até então, mas o meu mal estar é tal que acho que vou descer em Buenos mesmo e tratar de ver um médico e fazer todos os exames de sangue possíveis, porque eu não agüento mais me sentir assim!

 

 

O dia se resumiu a isso... Finalmente consegui “acordar” e tomar um banho... Me senti um pouco melhor. Depois de chamar a manutenção pela milésima vez desde que cheguei – para aqueles que estão acompanhando, todo o dia tem uma coisa nova estragada na minha cabine – a última, antes de hoje, que o controle da TV estragou e não era um problema de pilhas, foi a descarga do vaso sanitário, então imaginem, tudo vomitado e eu não conseguia nem puxar a descarga! Uma maravilha mesmo...

 

O cara da manutenção veio, mas evidentemente não resolveu o problema, disse que outro viria resolver em 5 minutos, esses 5 minutos já eram 20 e nada, então desisti e sair pra conectar à internet e falar com as pessoas queridas um pouco... Tô me sentindo mal, fisicamente e psicologicamente, acho que foi coisa demais pra pouco tempo... Aliás, desgraça pouca é apelido! Acho que vou fazer o que meu irmão recomendou, que é chegar em Ushuaia e achar alguém pra me benzer! Não sei, ando sensível, choro por qualquer coisa (até por coisas que desconheço), estou completamente perdida, não sei o que fazer da minha vida (em todos os sentidos, profissional, pessoal, sentimental – essa então é a melhor parte – enfim...)... Espero hoje pelo menos poder encontrar a Marilyn e o John (em teoria eles sairiam do confinamento hoje na hora do jantar, mas já tão prometendo isso pra eles há dois dias e nada, então, eu meio que já perdi as esperanças) e dividir um pouco essa angústia...

 

Ontem o pianista, que é ótimo, diga-se de passagem – toca muito bem e tem uma voz fantástica, canta em vários idiomas – tocou e cantou “Perfídia”... Me fez recordar um dia que eu e “o L” passamos juntos, logo que voltei pra Porto Alegre em janeiro, depois de passar as festas em Córdoba... Uma das noites que passamos juntos que foi inesquecível... Mesmo que nunca mais o veja na vida – caso essa seja a vontade de Deus, dele, minha ou sei lá eu de quem, ou simplesmente o que o “destino” decidiu pra mim – essa noite vai ficar pra sempre na minha memória... Ai, ai...

 

Bom, chega de deprê! Vou tentar ir jantar no restaurante hoje e rezar para poder sair em Punta Arenas amanhã, porque pelos menos os pingüins eu PRECISO ver! Assim que tiver novidades escrevo mais e prometo postar esta última parte no Blog o antes possível...

 

Saudades de todos: do mano, do German, do L, d Day, da Gabi, da Ana, da Deya, do Guga e da outra Déia, do Profinho Filipe, que me mandou um e-mail, querido! Do Ric, do Cristian, da Sofi, da Juli, do Matteo, do Fran, do Maxi, DO TEVEZ!!!! Ah, tô muito sentimental hoje, fazer o que... Espero que isso seja “normal”... As lágrimas não param de escorrer dos meus olhos e eu não consigo evitar... Se é tristeza, felicidade, raiva, confusão, eu nem sei dizer... Seja lá o que for, eu desisti de achar um rumo pra minha vida, vou deixar que o destino siga o seu curso e que Deus, ou seja, lá o que for decida por mim... Seja tristeza ou felicidade, tudo o que vier é por merecimento, portanto, vou me conformar e aceitar as coisas, acho que assim eu consigo seguir vivendo “empurrando com a barriga” e viver um pouco menos triste...

 



 Escrito por Roberta Born às 23h15
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Fim do confinamento, 24 de março, às 22hs.

É oficial! Sim, eu fui libertada da prisão! Para quem pegou “o bonde andando”, eu fui finalmente autorizada pelo médico do navio a deixar minha cabine e viver uma vida normal a bordo... Nem acredito!

 

Bom, por volta das 20hs eu já comecei a me produzir e pedir a tal janta pro Room Service... Hoje a coisa tava complicada, por causa do aumento de casos de passageiros com o Nora Vírus – que finalmente descobri o que quer dizer em Português, é o famoso Rota Vírus – a demora pro jantar chegar na cabine ultrapassou a uma hora de espera... Eu estava quase desistindo, porque evidentemente, às 21hs eu já tava com um pé pra fora da cabine, não agüentava mais ficar socada!

 

Jantei, a comida tava um desastre, porque em função da demora, chega tudo frio no quarto e o gelo para colocar na bebida, totalmente derretido. Uma maravilha, mas imagina o que os crew members estão passando, tinha gente sendo transferida do restaurante pra ajudar no Room Service, porque eles não estavam dando conta dos pedidos... É como se o navio inteiro estivesse confinado nos quartos, eu não sei ao certo quantos são os casos, mas não devem ser poucos, porque por mais que os membros da tripulação não dêem muitas informações para não apavorar (ainda mais) os passageiros, dá pra sentir o clima de tensão no ar e ver que a coisa tá pegando fogo mesmo...

 

Bom, chegou a hora! Saí do quarto, fui pro Deck 8 que é onde tem o cyber café e o sinal de wireless... Nossa, era mais caro do que eu pensava o lance! Um verdadeiro absurdo, 60 dólares para 150 minutos de acesso, pode isso?! Enfim, tentei usar o mínimo possível, basicamente enviar os e-mails imprescindíveis, avisando as pessoas que têm algum interesse em saber como estou (não são muitas, mas enfim...) e que eu AINDA não morri, embora nos últimos dias a exposição a situações de alto risco tenham sido bastante freqüentes e das naturezas mais diversas... Mas como a minha mãe costumava dizer: - “Vaso ruim não quebra!”, portanto, para a felicidade de alguns e a tristeza de muitos, não foi um trauma pós-assalto e nem um Rota Vírus que conseguiram me derrubar! Cá estou eu, vivinha da Silva! :P

 

Depois do cyber a minha intenção era largar o note na cabine e ir pra Latin Fiesta... Mas, numa breve saída para ver como estava o clima lá fora e observar a lua que, apesar de meio encoberta, estava linda e grande (será que é lua cheia ainda, ou já passou?! Não tenho idéia do que acontece lá fora, mal sei que dia da semana é!) fiz a minha primeira amizade importante (e interessante) no navio. Não pensem que é essa chinelagem aí de garçons, atendentes do bar, ou quaisquer outros ocupantes de “cargos porcaria”, meu “novo amigo” é o Engenheiro Chefe do navio! Acima dele meus queridos, só o Capitão! Hahahahahaha.

 

Meu novo amigo é Polonês, o nome dele é Witold (não sei se é assim que se escreve) e é Engenheiro especialista em navios. A rotina de trabalho dele é dura, porém, por ocupar um dos cargos de maior importância dentro do navio, ele trabalha 10 semanas e folga 10, e SEMPRE vai pra Polônia visitar a família... Ai, como eu odeio gente pobre! HAHAHAHAHAHA :P

 

Ficamos no Schooner Bar conversando, ele já viajou o mundo todo a bordo de um navio, tanto de passageiros como de carga. Faz quase 20 anos que ele trabalha a bordo, nossa, um tempão! Mas ele foi a segunda pessoa a me dizer que uma vez que você trabalha num navio e acostuma com essa vida, vai para sempre trabalhar num navio... Será que se eu vier a trabalhar num eu também vou adotar essa filosofia?! Vou ficar tão “acostumada” com essa vida que não vou conseguir mais largar? E o Mestrado, o Doutorado, o sonho de dar aulas na Universidade, ter meus orientandos de Trabalhos de Conclusão, para onde vai?! Bom, a esta altura da vida, vou ver pra onde o vento me leva e aceitar as coisas que vierem... Talvez assim eu consiga ser mais feliz, do que ficar correndo atrás de coisas que, apesar de eu querer muito, parecerem estar cada dia mais distantes de mim!

Se bem que, eu não sou o tipo de pessoa que se “acostuma” com praticamente nada, se tá bom eu sigo em frente, se não estiver, bom, largo fora – seja lá o que for emprego, relacionamento, lugar, etc. – e vou procurar algo que me faça mais feliz, sem medo!

 

Muito legal o Witold, extremamente culto, ele fala até Russo! Ficamos bastante tempo conversando, tanto tempo que eu acabei perdendo a Latin Fiesta, dá pra acreditar?! Mas haverá muitas ainda, tem muitos dias pela frente a bordo do “Hell of the Seas”, hahahaha. Sabe que agora, apesar de tudo, tô até começando a curtir o navio?! Talvez daqui mais alguns dias eu pare de chamá-lo assim e passe a usar o nome original, mas isso só se “ele” merecer! Tomei umas piñas coladas, claro que tudo foi pra conta do meu novo amigo, eu me fazendo bem de salame (para ser cortada em rodelinhas) estava esperando justamente por isso, alguém que pagasse pelo menos os meus drinks né, uma vez que depois de tantos prejuízos em tão pouco tempo a situação está brabíssima!

 

Combinamos de ir pra boate amanhã, porque como até quinta-feira não tem nenhum porto onde o navio ficará ancorado, o Witold pode sair um pouco da rotina dura do seu trabalho – que é fundamental para a sobrevivência do navio e de todos os que estão a bordo dele, afinal de contas, e é que mantém a máquina funcionando, as caldeiras, os motores e tudo aquilo que fica “behind the scenes” no navio. Digamos que, se o navio afundasse, tirando um caso extremo como foi o do Titanic batendo num iceberg, a culpa seria dele, ou algo assim. Ele tem uma equipe de mais 25 engenheiros trabalhando pra ele, e mesmo tendo um horário de trabalho pré-estabelecido, ele está “on call” as 24hs do dia. Nossa, que vida, vamos combinar!

 

Lá pela uma e pouco da manhã, depois de alguns drinques, tive que dizer adeus ao Witold, porque amanhã muito cedo ele precisava estar trabalhando. Muito empolgada, pensei: - Ah, agora vou pra disco, deve estar bombando! Jura!!! Que doce ilusão, só tinha eu e os guris do bar – todos brasileiros, o Diogo de SP e o Augusto de São Leopoldo – e mais tarde chegou um casal mais ou menos da minha idade, um pouco mais velhos... Não tinha mais ninguém, nem na boate, nem nos bares, em lugar nenhum! É como se o navio fosse só nosso, parece que as pessoas estão todas confinadas em suas cabines! Uma coisa inacreditável... Ah, o cassino foi fechado, porque como as slots machines, as fichas e as cartas são muito manuseadas e, eventualmente, foram ou serão manuseadas por pessoas infectadas pelo vírus, o Capitão mandou fechar para que diminuísse o risco de propagação do vírus... As piscinas foram todas esvaziadas, para que fossem desinfetadas – não sei nem se elas vão ou não voltar a funcionar, mas enfim... Uma loucura! Sério, eu já vivi coisas malucas e trágicas, mas isso ultrapassou tudo que eu já tinha visto antes...

 

Já que não tinha ninguém, fui embora da boate, dei mais uma volta para ver se achava alguém ou alguma coisa acontecendo em algum lugar – mais especificamente na esperança de novamente encontrar um loiro misterioso que vi na saída do teatro e que ficou me olhando, como se quisesse enxergar através da minha roupa e que QUASE veio falar comigo, só não veio porque eu saí pro Deck e foi então que iniciei a minha conversa com o Witold, mas até o final desse cruzeiro eu preciso reencontrar essa criatura! Pelo menos pra saber o nome dele, de onde ele vem, porque o cara era simplesmente de cinema! Não era crew member, era hóspede mesmo, loiro, cabelo pelo ombro, alto, olhos azuis (um azul piscina), bem estiloso... Juro que tentei decifrar a nacionalidade dele, mas fiquei tão “perdida” olhando pra pinta que não consegui chegar à conclusão nenhuma! Quem sabe amanhã, na Rock and Roll Night eu encontro ele... Ah, mas eu vou procurar até encontrar! HAHAHAHAH

 

Bom, amanhã a vida vai ser “normal”. Pelo menos é o que eu espero! Vou tomar café da manhã fora da cabine, no restaurante, com todo o resto do povo (se é que vai haver algum “resto de povo”, porque do jeito que a coisa está, não sei não...) e por volta das 9hs da manhã vamos estar passando pelas Chilean Fjords, espero que o dia esteja bonito para poder tirar boas fotos desta paisagem que dizem que é simplesmente maravilhosa!

 

Várias atividades programadas para amanhã, de acordo com o Daily Compass, coisas empolgantes como aulas de aeróbica, spinning, wall climbing, aulas de dança de salão, origami, dobraduras de guardanapo e evidentemente, de Rock, para preparar uns passinhos pra festinha de amanhã. Vou aproveitar que o meu vestido rosa e branco tipo “Barbie” não foi roubado, acho que não foi do agrado dos ladrões, com meus sapatinhos que combinam com ele e têm bico redondo e o modelito vai ficar bem de acordo com a Rock and Roll Night. Acho até que vou fazer alguma coisa no cabelo, pra parecer com a Olivia Newton John no Grease! HAHAHAHAHA

 

Então é isso, amanhã escrevo mais e envio pro super German Boy postar pra mim, já que hoje fui tentar fazer isso, na correria da internet – para fazer esses 60 dólares durarem até o final do cruzeiro – e ficou tudo fora de ordem, uma porcaria, então combinamos que eu escrevo e depois ele posta organizadamente pra mim... Mas isso só até quarta-feira de noite, porque na madrugada ele e o Guga vão pra Córdoba pra ver o Rally.



 Escrito por Roberta Born às 18h10
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Chegada a Puerto Montt, Chile, 24 de março de 2008.

Um prêmio para quem adivinhar onde estou agora!!! Sim, em Puerto Montt, no navio Splendour of the Seas, mas DENTRO da minha cabine (ou Stateroom, como eles chamam aqui), número 2574, CONFINADA até às 22hs de hoje... Isso SE eu continuar bem e não apresentar mais nenhum sintoma do suposto vírus... Não preciso dizer que estou contando as horas não é, e subindo pelas paredes da cabine é apelido!!!

Bom, uma das minhas atividades hoje foi fazer uma bainha de uma calça, pra vocês verem a que ponto eu cheguei! Uma calça de abrigo que eu fui obrigada a comprar em Valparaíso, que por eu me tratar de uma pessoinha de pouco mais de um metro e meio, é ÓBVIO que qualquer calça precisa de bainha! E esta, eu não podia esperar pra fazer, porque comprei justamente porque ia precisar usar...

Eu até sei costurar e tal, não sou nenhuma expert nem nada, mas dá pro gasto, afinal, a minha mãe era uma senhora muito prendada e me ensinou a fazer essas coisas, mas isso esta longe de significar que eu gosto, aliás, costurar pra mim é quase tão torturante quanto passar roupa! Modéstia parte, ficou bem feita, as pernas ficaram até do mesmo tamanho! E isso que eu não tinha as “ferramentas” mais apropriadas, tive que cortar a calça com uma tesoura que praticamente não cortava, mas enfim, ficou boa... Vamos ver se ela não vai ser desfazer quando eu usar – e espero que não passe de amanhã, porque ficar aqui dentro dessa cabine já ultrapassou os limites da minha paciência!

Amanhã é outro dia de navegação, o próximo port-of-call é em Punta Arenas, no Chile, no dia 27 (quinta-feira) e depois, na sexta, que é dia 28 e MEU ANIVERSÁRIO, vamos estar em Ushuaia, na Argentina, o destino mais esperado de todos! Espero que Deus pare de me castigar e pelo menos no dia do meu aniversário me brinde com um dia lindo em Ushuaia (é pedir muito, porque lá chovem, pelo menos, 168 dias por ano, então, um dia de sol lá seria um milagre, e digamos que, considerando a minha vida e os últimos acontecimentos, qualquer coisa “meia-boca” que eu conseguir eu já preciso agradecer e, portanto, milagres estão completamente fora de cogitação, mas, como eu sempre digo: - sonhar AINDA é de graça né, então, não custa nada... LITERALMENTE! É bom aproveitar enquanto ainda não acharam um jeito de cobrar pelo minuto do sonho também, senão eu estaria muito mais fodida do que agora – desculpem o vocabulário chulo, mas não pude evitar!).

Agora falta pouco... Oficialmente vou ser liberada do confinamento às 22hs de hoje, de acordo com a ligação que recebi de manhã cedo da enfermeira. Nem acredito. São 20:15hs agora, estou esperando o jantar na cabine, uma vez que não seria liberada a tempo de jantar no restaurante, mais uma vez (e se Deus quiser vai ser a última dessa jornada a bordo do Splendour of the Seas, que agora estou começando a chamar de Hell of the Seas... hehehhe). A má notícia é que o vírus de espalhou mesmo no navio todo, o médico colombiano está desesperado, não sabe o que fazer, pois hoje num dos ônibus que saíram para fazer excursão em Puerto Montt lotado de passageiros (aproximadamente uns 40) teve um casal que passou mal – vomitou - no meio do ônibus e por esse motivo, todos os outros foram expostos ao vírus... Qual foi a decisão do pobre médico que está completamente desesperado e não sabe mais o que fazer?! Confinar TODOS os passageiros daqueles ônibus, e aqueles que, em 24 horas não apresentarem os sintomas serão liberados, enquanto que os demais, infelizes que foram de fato contagiados devido a esta exposição, bem, vão passar pelo mesmo que eu... Estarão condenados ao confinamento por, pelo menos, 48hs a partir da primeira manifestação do vírus.

Mesmo que a tripulação não queira fazer muito alarde nem apavorar o resto dos passageiros, o assunto é sério, a menina do Room Service, a Natasha, que é brasileira, me mantém informada sobre os acontecimentos e me disse, que NUNCA na história dela trabalhando no navio, viu uma coisa assim. Claro né, basta a Robertíssima estar a bordo que as coisas mais absurdas acontecem. Isso é básico!

Então, agora, cá estou eu, esperando ansiosamente pelo meu ÚLTIMO jantar na cabine, toda arrumada, super produção, porque 22:00hs em ponto eu estarei com o pé pra fora desta cabine! Hoje tem Latin Night na boate, muita Salsa e Merengue (jura que eu sei dançar né, mas tenho esperança que algum crew member gostosérrimo esteja disposto a me ensinar e, sinceramente, com a velharia que tem a bordo deste navio, eles devem estar desesperados por alguma “jovem” - jovem está entre aspas, porque a querida vai fazer 27 em poucos dias, portanto, leia-se: quase 30 - linda e gaúcha perdida por aí sozinha). A má notícia é que a Marilyn e o John também poderiam sair hoje, mas, porque o John voltou a se sentir mal e a Marilyn está com ele na mesma cabine, eles foram confinados por mais 24hs, pelo menos. Então, acho que não vai me restar outra alternativa a não ser dançar sozinha noite adentro ao som de Salsa e Merengue e torcer pra algum crew member me convidar pra dançar com ele... No pior dos casos, vou terminar bebaça lá pelas 4hs da manhã e vou vir pra minha cabine dormir, embora eu tenha vontade de dormir fora dela hoje, porque eu não agüento mais ficar aqui dentro!!!

Ah, quase me esqueço de contar... Eu tava mesmo me achando muito paciente até aqui, não tinha entendido como ainda não tinha xingado meio mundo e vinha agüentando no osso essa história de Nora, Norwalk, ou Noro Vírus (ninguém sabe ao certo como se escreve, na TV tá de um jeito, no Daily Compass de outro, o Capitão fala outra coisa, enfim...), confinada nesta cabine... Mas, com o episódio do alarme de incêndio no meio da madrugada e hoje de tarde, DENOVO, quando eu tava conseguindo pegar no sono, porque não tinha muito mais pra fazer, considerando que eu já decorei a programação da TV, a porra começou a tocar... Dá pra acreditar?! E como estávamos em terra, veio um segurança revistar o meu quarto pra ver se não tinha mesmo nada pegando fogo! Ai, ai, ai... Daí deu né, perdi a cabeça completamente, surtei!!!

É nessas horas que eu percebo o quanto eu falo bem uma língua, porque xingar em um idioma que não é da gente e se fazer entender (principalmente o grau de indignação que a pessoa está experimentando) não é pra qualquer um... Ah, não tive dúvida, peguei o telefone e liguei pro Guest Relations, xinguei meio mundo, com classe, é claro, mas botei a boca e disse que queria alguém IMEDIATAMENTE pra remover essa porcaria do meu quarto ou trocar para que não acontecesse denovo... E se acontecesse, meu Deus, eu ia processar a Royal! Não preciso dizer que em poucos segundos uma criatura apareceu e trocou a merda... Pediu milhões de desculpas e disse que ficaria monitorando pelo computador para ver se não ia disparar denovo. Eu, sinceramente, espero que não aconteça de novo, porque bom, daí vai ser Nora Vírus e Roberta surtada no navio, daí sim eu quero ver! Vou pedir pra falar com o Capitão se ninguém me atender decentemente e no mínimo, um upgrade sem nenhum custo pra uma suíte com sacada eu vou ganhar, ahhhh vocês podem ter certeza disso!!!

Quem me conhece bem e já me viu braba sabe a fúria que é essa baixinha quando ela perde completamente a paciência... Aliás, confesso que tô estranhando o meu alto grau de tolerância, numa “situação normal” minha eu já teria saído surtada por aí e teria, em questão de poucos minutos, ficado conhecida no navio todo, como a criatura que fez bolo! Eu já sou bastante conhecida né, já que fui um dos primeiros supostos casos do maldito vírus, então fazer com o que resta de gente no navio saber da minha existência não vai ser uma coisa muito difícil...

Espero ter coisas emocionantes para contar amanhã! Se bem que, esta história de confinamento, Nora Vírus e tal, por mais trágico que seja é no mínimo uma experiência diferente, vocês não acham? Quantas pessoas vocês conhecem que viajaram em um cruzeiro e tiveram que ficar confinadas em suas cabines porque foram infectadas por um vírus altamente contagioso? Nenhuma eu acho. Agora vocês têm a mim, e mais uns 2 mil e poucos passageiros e tripulantes, mas duvido que conheçam mais alguém a bordo do “Hell of the Seas” neste momento... hehehehhee. Depois falam que eu invento as histórias, mas não invento não, como eu gostaria, as coisas mais absurdas sempre acontecem comigo... É incrível! Eu sinceramente já desisti de buscar explicações e trato de me tirar alguma coisa de positiva da situação, mesmo que neste caso, não tenha encontrado nenhuma ainda, mas pelo menos, no futuro, essa história vai me render boas risadas...

 Escrito por Roberta Born às 01h01
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Valparaíso, Chile, 22 de março de 2008.

Bem, hoje a correria foi grande... As lojas em Valpo não abrem antes das 10:30 da manhã, portanto o “projeto mala e algumas roupas de inverno” só pôde ter início a partir desse horário. Saí do Hostel por volta das 10:15, fui caminhando até a loja Ripley, que numa tentativa frustrada de resolver essas questões ontem, estava fechada, por causa da sexta-feira Santa. Cheguei lá, escolhi a mala mais barata e mais fácil de carregar que tinha e alguma coisa de roupa de inverno – moletom, casaco, etc. – já que a grande maioria dessas minhas peças foi roubada do apartamento em Córdoba. Realmente, uma droga, pois eram gastos que não estavam previstos, mas fazer o quê, morrer de frio no navio eu não podia.

Eu fiz tudo isso correndo, porque ao meio-dia precisava deixar o hostel. Arrumei as malas correndo (basicamente, soquei tudo que via pela frente dentro delas), liberei o quarto e fiquei lá fazendo tempo para que o táxi viesse me buscar e me levasse até o porto de Valparaíso. Eu tinha que estar lá por volta das 14hs.

Chegando ao porto, aquela confusão né, não preciso nem dizer! Um milhão de pessoas, de distintas nacionalidades – argentinos, americanos, brasileiros, australianos, franceses, aquela raça que eu detesto que são chineses e japoneses, oh povinho mal educado!!! Ninguém sabia dar informação direito no porto, cada um te mandava pra um lado, uma beleza! Uma hora e meia depois, após ter feito uma fila gigante e ter fracassado em encontrar a Marilyn e o John ou qualquer outra pessoa do grupo, incluindo a Deborah, que foi a agente de viagens que organizou todo o cruzeiro pra mim, consegui “embarcar”.

Não se iludam! Nada de navio ainda, uma vez feito o check-in, era hora de pegar mais um ônibus que nos levaria até o navio. Ali mesmo já conheci um pessoal que fazia parte da tripulação – o Daniel, brasileiro, do interior de SP, que trabalha no restaurante principal como garçom e a Brenda, da Nicarágua, que também é garçonete. Já comecei a minha “pesquisa” sobre como vir trabalhar pra Royal Caribbean e tal, pois é meu atual projeto, considerando a insegurança em Córdoba e o tempo que ainda vai demorar pro meu mestrado começar. Ficar tanto tempo sem fazer nada não vai dar né, trabalhar no Johnny B. Good em Córdoba, de bartender, ganhando uns $ 800 pesos por mês, seria uma possibilidade, mas, acho que o navio seria uma boa opção pra ganhar uma grana e fazer um pezinho de meia. A primeira coisa que vou fazer ao desembarcar é enviar o currículo e aplicar para o cargo de “International Ambassador”, já que falo tantos idiomas e, de acordo com o pessoal que trabalha no navio que eu conheci até o momento, é uma “vida fácil” e um cargo de relativo prestígio, já que trabalha pouco e ganha bem. É o sonho de muitos no navio, aprender línguas para ocupar esse cargo.

Bem, finalmente consegui entrar no navio... Uma coisa gigantesca, não tão lindo e luxuoso como o da Celebrity Cruises, no qual fiz um cruzeiro com a mãe em 1998 que a Mari até foi junto, pelo Caribe, mas impressionantemente grande – uma coisa monstruosa! A primeira feliz surpresa: meu quarto. NOSSA! Um luxo só! Lugar pra guardar tudo, uma cama maravilhosa, TV à cabo – SIM, acreditem, tem TV à cabo via satélite, coisa que eu jamais pensei que fosse encontrar! Com uma variedade de canais relativamente interessante! Ai, ai, uma maravilha mesmo... Ah, e a vista?! Janela ENORME, que vai me permitir enxergar absolutamente tudo. O Deck é o 2, ou seja, eu fico bem no nível do mar...

Uma vez instalada e com as malas – eu dei sorte, porque o que tinha de gente reclamando da demora das malas chegarem nas cabines era uma coisa de louco, na cabine ao lado da minha tinha uma francesa, literalmente, surtando por conta disso, enquanto esse “problema” já tinha sido avisado desde o início e a grande maioria das pessoas ainda não tinha recebido suas malas nas cabines... Mas francês é assim mesmo, povo nojento em sua maioria, ela devia ser parisiense, óbvio, isso seria uma explicação mais do que plausível pro nível da grossura! Então, saí para procurar a Marilyn e o John. Estava desesperada por vê-los e, ainda não acreditando que isto estava acontecendo... Fui até o pessoal do Guest Relations, para me informar sobre o número da cabine deles – porque nem isso eu sabia, já que não nos encontramos antes do embarque – e para minha surpresa, no momento que eu perguntei ao rapaz sobre os Gages, sinto alguém cutucando as minhas costas: era a Marilyn. Que momento! Até chorar eu chorei, pois eles foram, e evidentemente, continuam sendo muito importantes na minha vida, marcaram uma passagem muito significativa. Missão cumprida: os encontrei no meio de mais de 2 mil passageiros. Era tudo que eu precisava.

Bem, fui até a cabine deles, que fica no mesmo Deck da minha – no final das contas decidimos que eu ficaria num quarto separado, por isso eu não estou dividindo a cabine com eles, o que foi uma sábia decisão, porque apesar de confortáveis, elas não são grandes suficientes para 3 pessoas, fora que eu me sentiria muito mal dormindo com um casal – contei “as últimas notícias” para eles, sobre o roubo, a minha chegada em Valpo, um resumo bem rápido sobre a minha vida nos últimos 6 anos, já que em 2002 foi a última vez que nos vimos e eles também, me contaram um pouco sobre a chegada deles na América do Sul. Logo depois tivemos que ir cada um para nossas “Muster Stations”, para um treinamento de segurança com os coletes salva-vidas, onde o capitão dava as instruções sobre como ocorreria numa situação de emergência real. Um saco, porque apesar de necessário, acho meio inútil, não acho que eu vá ter a má sorte de afundar num transatlântico de 70 mil toneladas e terminar como o Titanic, mas nunca se sabe né, com a minha atual “sorte”, eu não posso me dar o luxo de duvidar de mais nada!

Demorou um tempinho, pois as International Ambassadors davam as instruções em todos os idiomas, pelo menos seis – Inglês, Espanhol, Português, Francês, Italiano e Alemão. A Muster Station correspondente à minha cabine era a 11 e SIM, nos teríamos um barco menor para evacuar o navio em caso de emergência, portanto, se acontecesse, a situação seria um pouco menos trágica do que a do Titanic! Hehehehe. Se o resto do povo tinha barcos ou não, ou se os que tinham eram suficientes pro resto dos passageiros eu não sei, mas pro povo da Muster 11 tinha e é isso que importa! HAHAHAHA.

Beleza, voltei pra cabine, tirei as coisas das malas e consegui organizar um pouco e saber o que tinha dentro delas, porque depois de toda a correria e o estresse, eu nem sabia o que tinha nelas e o que tinha sobrado do roubo. Me senti muito melhor depois disso, para aqueles que me conhecem deve ser mais fácil de entender, porque sou meio obsessiva com organização e não saber o que tenho e onde está é uma coisa que me deixa muito nervosa. Ah, depois disso, um beeeeeeeelo banho... Não tinha dado tempo de tomar banho antes de sair do hostel, por causa do horário das lojas e do horário do check-out, que era ao meio-dia – eu me senti adotando o sistema europeu e tava sentindo que fedia muito, embora não devesse ser totalmente verdade... Pelo menos não tinha ninguém me olhando feio nem reclamando à minha volta e olha que, mesmo com a variedade de nacionalidades, como grande parte dos idiomas eu entendo, teria ficado sabendo se eu fosse motivo de algum comentário! :P

Uma vez instalada, de banho tomado e arrumada (na verdade nada de “dressed to kill”, porque primeiro não tinha ninguém que eu quisesse “kill” e segundo, porque eu estava cansada demais pra fazer aquela sessão toda de maquiagem, chapinha, etc...) resolvi sair para dar uma volta pelo navio e explorar um pouco o ambiente. O que era o que eu mais queria conhecer? O tal do muro de escalada, ou o “Cimbing Wall”! Ah, quando eu finalmente o encontrei, no Deck 10, ou seja, no último deck do navio, bem na proa, fiquei chocada: não era muito alto, mas alto o suficiente para dar um certo “medinho”! :P Fui pedir as informações para poder escalá-lo no dia seguinte e para minha surpresa, os meninos que faziam parte do Sports Staff e eram responsáveis pelo Climbing Wall, também eram brasileiros! Nossa, nós somos uma praga mesmo, estamos em todas as partes!

Os dois eram bem “pegáveis”, um de Curitiba (o mais pegável, porém menos comunicativo e simpático) e o outro de Santos. Devo confessar que é em horas como estas que eu tenho orgulho de dizer: - “Ah, eu sou gaúcha!”, porque os olhares dos homens definitivamente são outros... Sério, tendo ido várias vezes à São Paulo, nunca consegui entender como pode numa cidade daquele porte, ter tanto homem lindo e tanta mulher demoníaca e o pior de tudo: fazida! É isso mesmo, elas se acham umas deusas!!! E os paulistas coitados, ficam correndo atrás delas e sofrendo por amor! Eu juro que eu não consigo entender isso, está “beyond my comprehension”! Por que ninguém corre atrás de mim e sofre por amor?!?!

Enfim, conversei um pouco com eles, pedi mais informações sobre como aplicar para trabalhar para a Royal, como já tinha feito no caminho pro navio com o outro menino, o Daniel, também de São Paulo e combinei com eles de ir lá amanhã escalar... Foi depois disso, que a “desgraça” começou... Olha, vou contar uma coisa pra vocês, eu sou grata por todas as coisas que tenho nesta vida (inclusive as materiais, mas principalmente essa vida nômade, cheia de surpresas e as maravilhosas amizades que fui construindo ao longo da vida, e que é graças a elas que eu ainda estou aqui hoje), mas vocês hão de convir comigo que ando numa maré de azar, LITERALMENTE!

Fui pro restaurante principal, o The King, a minha mesa era a 88. É, nos navios existe essa frescura de mesas pré-estabelecidas para os passageiros, às quais passageiros de distintas nacionalidades se sentam juntos para promover a integração entre eles – é a filosofia que o Club Med também usa. Pois é, tinha combinado de jantar com a Marilyn e o John, mas com a quantidade de pessoas dentro do navio e, naquele horário, no restaurante, que tem centenas de mesas e dois andares ainda pra ajudar, não consegui encontrá-los e a minha mesa não era a mesma deles. Bem, esta é uma coisa que terá que ser resolvida para os próximos dias, afinal, fui convidada por eles pra vir e um dos meus principais objetivos foi vir para passar tempo com eles, já que faz 6 anos da última vez que nos vimos.

Tinha dois casais sentados comigo – ambos americanos. Um deles, até que era um ponto meio fora da curva (um outlier) no que diz respeito à idade deles, pois eles estavam bem abaixo dos 70-80 anos. O nome da mulher era Eliana e do cara eu não lembro, mas ele parecia o Bill Clinton. Eles são de Austin, Texas e pelo visto são muito ricos e muito cultos, o cara é consultor (não sei do quê exatamente) e por causa do trabalho dele, eles já moraram até em Dubhai! O outro casal era de velhinhos (ÓBVIO!), mas não faço idéia de que lugar dos EUA eles eram, porque o sotaque deles era muito forte, como se eles fossem do countryside (sabem aquele sotaque dos caras do filme “O Segredo de Brokeback Mountain”? Pois é, uma coisa meio assim!). Bom, o nosso garçom – isto também é típico de navios, você sempre tem o garçom da sua mesa, a camareira ou camareiro da sua cabine e por essa razão, no final do cruzeiro, você deve deixar a gorjeta para àquelas pessoas que atenderam você durante todo o período – era da Turquia, Istambul. Muito simpático ele, mas confesso que o inglês dele era terrível e mal dava para entender o que ele dizia! Fiquei de olho num assistente de garçom – aqueles que não servem a mesa, mas cuidam da mise em plâce (não sei se a ortografia e a acentuação das palavras está correta), para quem não sabe o que é, mise en place é toda aquela preparação de talheres, pratos, copos, guardanapos e etc. para que estes itens estejam em condições de ir para a mesa. Por exemplo, copos e talheres devidamente polidos, pratos limpos, guardanapos dobrados e engomados, enfim... Eles ficam próximos às mesas que pertencem à praça de cada garçom (mais uma vez, termos técnicos da hotelaria, a praça do garçom é aquele número de mesas pelas quais ele é responsável, ou seja, as mesas que ele atende) cuidando de todas essas coisas para que os garçons possam trocá-los quando necessário e na medida em que as mesas vão sendo desocupadas, eles imediatamente põem as mesas denovo, para os próximos hóspedes.

 Escrito por Roberta Born às 00h02
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Nos navios existem dois turnos para as refeições, caso contrário ficaria impossível acomodar todos os passageiros para comer de uma única vez e nem haveria staff suficiente para isso! Então, quando uma mesa é desocupada, ela é imediatamente colocada em condições para que os próximos passageiros a comer, possam ocupá-la sem problemas. O meu turno de refeições é o primeiro, o das 19hs. É, eu sei que é cedo para brasileiros, mas além de ser comum na cultura americana comer cedo e, evidentemente, a Marilyn e o John não conseguiriam comer mais tarde do que isso, também é melhor, porque daí você come e já pode ir ver o show da noite e perde menos atividades do que se comer no segundo horário. Além do mais, se sentir fome mais tarde, não tem problema, porque comida é o que mais tem por aqui, em algum canto no deck da piscina, no bar, na boate, enfim, EVERYWHERE!!!

Mas voltando ao assunto do assistente – é muita informação, fica complicado manter uma lógica nos meus pensamentos, por isso peço desculpas pela confusão do que eu escrevo, prometo melhorar, já que sou “nova” nessa coisa de Blogs – ele era muito gatinho! Deve ser brasileiro né, eu não consegui olhar o crachá, porque ele ficava sempre ali na mesinha de apoio dele e quase não virava pra mim... Mas tenho vários dias pra descobrir! HEHEHEHEH. Bom, até aqui só alegrias, não é? Pois então, como eu disse nos parágrafos acima, a minha maré de azar não é pouca, e ela “recomeçou” no horário da janta.

Foi comer a entrada que eu já senti aquele enjôo denovo, que tinha começado lá na quarta-feira, dia 19, depois de comer um número 2 no Mc Donalds e um milk shake de chocolate. Lembro de ter vomitado as tripas umas horas depois daquela refeição e meu estômago nunca mais foi o mesmo depois daquilo. No dia seguinte, antes de viajar de Córdoba pro Chile, eu não cheguei a vomitar, mas não estava tolerando comida muito bem e sentia esses enjôos e uma súbita vontade de vomitar... Na quinta, no caminho para Valpo e depois que cheguei, também não vomitei, tava me sentindo melhor, mas não tava 100%. Na sexta, antes de embarcar no navio e do horário do jantar tava tudo mais ou menos bem, mas eu não tinha comido nada...

Bom, foi dar as primeiras garfadas na entrada, que era um peixe defumado com torradinhas, muito bom por sinal, que aquela sensação horrível do tipo “elevador” começou, sabem? Tive que pedir pra ser “excused” da mesa e descobrir o banheiro mais próximo e, durante todo o trajeto até ele, ficar rezando para conseguir chegar a tempo e não vomitar no meio das pessoas... Cheguei, graças a Deus, botei tudo pra fora, acho que até Mc Donalds eu ainda tinha guardado em algum lugar! Melhorei, respirei fundo e voltei pra mesa... O pesadelo continuou. Nem pude saborear o salmão que tava delicioso e o quindim da sobremesa, que tive que, novamente, sair correndo da mesa, e desta vez rumo à minha cabine, porque não ia conseguir fazer mais nada a não ser vomitar desesperadamente, novamente rezando para chegar a tempo...

 Escrito por Roberta Born às 00h00
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Mais uma vez eu cheguei. Tudo pra fora denovo, até que, a diarréia também começou... Uma beleza! Quando estava fazendo o número dois, o telefone toca: era a Marilyn. Ela ligou pra dizer que eu precisava ir ver o médico imediatamente, pois o John estava com os mesmo sintomas e havia rumores de que havia um vírus por aí que causava esses sintomas. Eu era obrigada a ir ao médico para reportar o que estava sentindo, porque se fosse esse vírus, qualquer pessoa que tivesse tido contato comigo, por mais impessoal que fosse, pegaria facilmente, pois se tratava de algo altamente contagioso... Ao desligar o telefone, apesar da raiva que senti de mal ter entrado num navio e algo que deveria ser divertidíssimo estava começando a virar mais um pesadelo para uma semana que foi cheia de coisas desagradáveis, respirei fundo e pensei: - É, tomara que seja esse maldito vírus (um tal de Nora Vírus, que dizem ser muito comum nesta época do ano) e não que eu esteja grávida denovo... Mesmo que tenha recomeçado a pílula e tal, sabe como é né, da outra vez eu tava tomando pílulas e tal e mesmo assim aconteceu... E os sintomas das primeiras semanas foram exatamente esses, então... Já tava beeeeem assustada! E sinceramente, além de não ser a hora pra ser mãe, agora que já constatei de que, caso ocorra, vai se tratar de uma criança sem pai, então, o pavor tomou conta de mim mais ainda...

Se quem estiver lendo isso não me conhecer o suficiente (acho pouco provável, mas enfim) pode se sentir meio perdido, mas quem me conhece, sabe bem porque estou falando isso do pai da criança que eu espontaneamente abortei, em fevereiro. Apesar de ser uma excelente pessoa, não tem nenhuma condição (e eu não falo de condição financeira, mas psicológica e principalmente, não está em uma situação favorável em nenhum aspecto da sua vida) para ser pai e me acompanhar numa gravidez, que é algo tão maravilhoso e importante na vida de uma mulher (e quando desejada por ambos, tem igual importância na vida do homem, do pai, no caso). Então, é melhor que não tenha acontecido denovo, porque desta vez, acho que Deus não vai ser “bom” o suficiente e me livrar da responsabilidade de ser mãe e de criar uma criança sozinha... Apesar da tristeza que senti ao abortar e do trauma que isso me causou (sonho com essa criança com muita freqüência, e repito nos sonhos a cena do dia da ecografia na qual eu vivi o bebê morto e logo depois, por conta disso, tive que fazer uma curetagem – o mesmo que um aborto, a diferença é que neste caso é legal, já que o feto não tinha mais vida), eu sempre quis ser mãe e eu me senti assim... Mesmo tão pequenino e, discussões de lado, ainda não fosse uma vida de fato, eu me sentia mãe... Tinha me apegado ao bebê e até feliz com a idéia, mesmo que não nas circunstâncias idéias. No entanto, não era hora. E ele, o pai - mais adiante vou contar mais sobre essa história, mas como se trata de uma pessoa que não está desimpedida, se é que posso me referir a ela assim, não vou revelar nomes, por questões de privacidade. Vou usar o apelido que ele ganhou da minha amiga Deya, “O L”, hehehehe, daí só quem me conhece ou teve a oportunidade de conhecê-lo vai saber de quem se trata.

Fui no consultório do médico. Enfermeira da Romênia, médico Colombiano, uma coisa de loucos. Tiraram minha pressão, a minha temperatura (um termômetro que colocam no ouvido e em poucos segundos você fica sabendo da temperatura – é, eu acho que tive meu ouvido “deflorado” também! Já era hora né, há poucos dias de fazer 27 anos, ainda ter um “ouvido virgem” é realmente uma vergonha! Me fizeram preencher páginas e páginas sobre o meu medical history, e é óbvio, que no meio de tanta coisa, eu que já tava me sentindo miserável, não agüentei e mais uma vez pedi pra ir ao banheiro e deixei o resto de coisas que tinha no meu estômago.

Tomei uma injeção – na bunda, logicamente – e o médico me deu uma medicação para que eu tomasse logo que chegasse em minha cabine e após cada episódio de diarréia. Mas a “melhor” parte não foi essa: ele determinou que eu ficasse confinada (SIM, é isso mesmo) pelo período de 48hs sem permissão para sair da minha cabine para fazer absolutamente NADA, porque como provavelmente se tratava do tal Nora vírus e apesar de não descartar totalmente uma gravidez, já que ele não fez nenhum exame de sangue nem nada, o mais provável era o vírus mesmo, porque havia mais casos de pessoas no navio com ele, e é altamente contagioso, alguém pode pegar por tocar numa coisa que eu toquei. Inacreditável. Um “mundo” lá fora para ser explorado e eu não podendo sair do quarto nem pra ir na biblioteca pegar um livro pra ler! Não podendo conhecer ninguém, jogar nada, fazer nada, comer as maravilhas que tem aqui – ah, porque se o confinamento não fosse suficiente, eu ainda tive que obedecer uma dieta super restrita que eles me deram chamada Gastrointestinal Diet e o pior, o setor de Room Service é informado pelo médico de que em tal cabine tem um hóspede que apresenta esses sintomas, então não dá nem pra enrolar a criatura e convencer ela a me trazer alguma comidinha melhor, é essa maldita dieta mesmo!

 Escrito por Roberta Born às 23h57
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Bom, estou me sentindo bem melhor, tenho que confessar... Apesar de ter dormido muito e estar morrendo de fome, o enjôo passou, não vomitei mais e nem tive mais diarréia (nem fiz mais número dois, quem dirá fazê-lo em condições diferentes daquelas que seriam consideradas as “ideais” hehehe). Escrever posts pro blog, ver televisão (que no início estava muito feliz com a existência de uma variada programação de cabo via satélite, agora preciso dizer: - EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA MALDITA TV! – eu não tenho muito mais que eu possa fazer... Ah, minha outra diversão é ficar ligando pro Room Service de duas em duas horas e pedindo pra eles me trazerem comida, para ver se alguém cai e me manda alguma coisa boa pra comer... Na medida em que as horas vão passando, desde o último episódio de vômitos, eu vou sendo “autorizada” a comer outras coisas, de acordo com a tal dieta (é verdade isso, vou guardar o papel que descreve a dieta, escanear e depois colocar no blog, para vocês verem que eu não estou brincando! Na verdade, eu adoraria estar...), então, cada vez que eu ligo pro Room Service eu “ganho” uma coisinha diferente... hehehehee.

Por agora é isso então... Evidentemente não estou “lá fora” para que coisas interessantes aconteçam para que eu possa contar então... Só posso adiantar que o meu “confinamento”, teoricamente, termina amanhã às 22hs. Pela manhã eu preciso ir ver o médico denovo para dizer pra ele que melhorei e tal e para que ele dê uma checada na minha situação. Mal posso esperar, já contei até as listras do teto, umas bolinhas que tem, sei de cor e salteado as cores de tudo que tem dentro da cabine, a posição dos móveis... Uma beleza! E agora, estou aqui, mais uma vez, esperando pelo Room Service. PARECE, só vou acreditar quando eu vir, que vão me trazer um sanduíche de peito de peru e um prato de frutas! HAHAHAHAHAHHA. Vamos esperar... :P

Tem que rir pra não chorar né... Ah, esqueci de mencionar o detalhe que, como o meu confinamento só termina amanhã às 22hs, eu vou perder a ida à Puerto Mont, Chile. Ainda bem que dizem por aí que, de todos os ports of call, este é o menos interessante... Não sei se estão me dizendo isso só pra fazer com que eu me sinta “menor pior” ou se é mesmo verdade...

 Escrito por Roberta Born às 23h56
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Navegando em Alto Mar, 23 de março de 2008.


Bem, o que dizer do dia de hoje? Confinamento... Sim, essa é a palavra! Por ordens médicas e o perigo de contagiar outros hóspedes a bordo do Splendour of the Seas, eu e os demais passageiros que apresentavam os sintomas do Nora Vírus foram condenados ao isolamento e confinamento, pelo período de 48hs a partir da aparição dos primeiros sintomas, em suas respectivas cabines...

Passei o dia olhando pela janela, assistindo TV – descobri que os tais canais de filme, tirando o tradicional TNT e tal, aqueles que o pessoal do navio coloca os DVDS pra gente assistir só mudam de dois em dois dias! Dá pra acreditar numa coisa dessas? As minhas opções eram: Evan Almighty (em espanhol), The Game Plan (em francês), Dreamgirls (em alemão), Music and Lyrics (em italiano) ou, finalmente, Blades of Glory (em português).

O meu único “consolo”, coisa que fiquei sabendo com o passar do dia através das informações que recebia de uma crew member brasileira, chamada Natasha, que trabalha no Room Service (ligar pra lá virou a minha atividade favorita!) é que um grande número de passageiros estava na mesma situação... O Capitão anunciou isso publicamente pelo “rádio” (sim, nos quartos nos temos um alto-falante que serve para que o Capitão ou para que as International Ambassadors possam anunciar coisas realmente importantes e, isso, pode ocorrer a qualquer horário do dia).

Parece que esse vírus foi um outbreak, isto é, um surto, mesmo dentro do navio... Afetou uma parcela importante dos passageiros, uma coisa inacreditável! O pessoal do Room Service é o que mais trabalha no navio desde que ele partiu de Valparaíso, pois uma vez condenados ao “confinamento”, os hóspedes TÊM que fazer suas refeições nas cabines, não podendo sair delas, sob nenhuma circunstância. Quem desobedecer a essas ordens corre o risco, inclusive, de pedirem para se retirar do navio no primeiro port of call, que neste caso seria Puerto Montt, no Chile, não tendo direito a nenhum tipo de reembolso e tendo que pagar por suas despesas de viagem até o destino pretendido. Apesar de saber que é bem provável que nada me aconteça caso eu saia, porque são mais de 2 mil passageiros para a tripulação controlar, prefiro não arriscar, porque conheço bem o “jeitinho quadrado” dos americanos e também tenho plena ciência da minha “maré de azar”, então, eu prefiro evitar (mais) prejuízos... Fora que eu e o John fomos os primeiros a apresentar os sintomas, então somos “famosos” no navio!

 Escrito por Roberta Born às 23h55
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O dia se resumiu a siestas e comidas... Foi isso basicamente, pelo menos hoje eu pude comer o que eu quisesse e não aquela dieta ridícula!!! Foi bom até, porque consegui recuperar grande parte do sono perdido e consegui repor as energias, considerando os últimos acontecimentos, que além de estressantes foram bastante traumáticos... Tive bastante tempo pra pensar na vida, nas coisas que estão à minha volta, os meus relacionamentos (ou neste momento atual, o meu único “relacionamento” – a palavra está entre aspas, porque como mencionei brevemente em posts anteriores, ele não é um relacionamento de fato, embora tenha todas as características de um, mas como “o L” tem uma namorada e nunca a deixou para “oficializar” um relacionamento comigo, não me acho no direito de dizer que tenho um relacionamento com ele e continuo me considerando uma pessoa solteira!). Pensei muito sobre meus amigos também, que tenho que admitir e levantar as mãos para o céu e agradecer que eles existem – principalmente o Alemão, German Boy, que tem sido de fundamental importância na minha vida atualmente, pois está acompanhando cada momento da minha mudança de vida pra Córdoba, não me deixando sozinha em momentos cruciais... Eu devo a minha vida a esse guri! Ele é o irmão que eu não tive, o melhor amigo que eu já tive na vida! Talvez eu não viva o suficiente para poder um dia retribuir as coisas que ele fez e ainda faz por mim, todos os dias e suas sábias palavras e conselhos...

Pensei muito no Tevez também, como sinto falta desse bicho! Será que ele ainda vive, lá na casa da Juli, com a hiperatividade do Matteo, correndo atrás dele o dia inteiro? Ou quando for buscá-lo, vai ser como a Juli disse, que ela me entregaria uma urninha com as cinzas dele?! Afasta esse pensamento!!! Não, se acontecer alguma coisa com esse bicho eu juro que morro! Também pensei sobre como seria ficar longe dele e quem seria a pessoa mais indicada para cuidá-lo, caso eu conseguisse o cargo de International Ambassador no navio e viesse trabalhar um ou dois contratos... Pensei tanta coisa, nos prós e contras de trabalhar aqui, de ficar em Córdoba e trabalhar de qualquer outra coisa até conseguir começar o mestrado... Até em como seria (ou poderia ser, ou ter sido) a minha vida se eu nunca tivesse saído de Porto Alegre ou ainda, se eu decidisse voltar pra lá, não só nas questões profissionais, mas principalmente nas afetivas, com relação ao “L”.

Refleti bastante sobre isso também, apesar de, por cada dia estar mais consciente da realidade (de que ele não vai terminar o namoro dele nunca por minha causa, de que ele não é o cara certo pra mim, de que ele não gosta de mim o suficiente para oficializar de fato um relacionamento comigo, pois ele já deu demonstrações suficientes disso...).

Enfim, todo o tipo de coisas que mesmo que eu “ache” ou me “iluda” que pudessem acontecer, senão fosse pura e simplesmente a “distância” que nos separa, não aconteceriam e as coisas continuaram iguais. Eu penso nele ainda sabe, gosto dele e muito! Não poderia ser diferente, pois vivi com ele coisas muito intensas e importantes – como a gravidez, por exemplo, que é algo que por mais que eu queira esquecer, jamais conseguirei – que, considerando os “tempos normais” das pessoas, tudo aconteceu muito rápido. Na minha vida, no entanto, isso é normal... É como o Cazuza dizia: - “Eu não quero viver mil anos a 10km por hora, eu prefiro viver 10 anos a 1000 km/h”, ou algo assim. Não que eu prefira, ou isto seja uma opção de vida consciente, mas foi o que o destino me permitiu viver... Eu até tenho tentado mudar algumas coisas, mas muitas vezes acabo me sentindo, literalmente, “dando murros em ponta de faca”, como diz o dito popular...

 Escrito por Roberta Born às 23h54
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Anyway, acho que foi isso que fiz basicamente. Depois da janta “decente”, porque foi a minha primeira refeição de “pessoa normal” desde que comecei a apresentar os sintomas dessa doença maldita, fui dormir e adivinhem?! Nem a uma noite de sono tranqüilo eu tenho direito, tem que acontecer alguma coisa! Lá pelo meio da madrugada, deviam ser tipo 4hs da manhã, um alarme insuportável começa a soar dentro da minha cabine. Eu pensei: - “Pronto, agora o navio tá pegando fogo, vai afundar, sei lá...” Saí no corredor pra ver se tinha gente correndo, evacuando o navio ou algo assim e não vi nada, era SÓ NA MINHA CABINE que essa porcaria soava. Toca o telefone, era um rapaz. Ele disse: - “Miss, there is a fire alarm running in your room... Is there any fire or smoke there?”, eu quase respondi: - “I wish it were, dude. I’d do anything to smoke a joint right now!”, mas fui menos honesta e disse pra ele que era evidente que não, e que a maldita porcaria tinha começado a tocar no meio da noite quando eu tava no décimo sono e que, por favor, fizesse aquilo parar!

Alguns minutos depois a porcaria parou e eu consegui voltar a dormir. Já pensando no café da manhã, que havia pedido pra 7hs da manhã e pensando também na descida em Puerto Montt que eu perderia, uma vez condenada ao confinamento. Juro que me sinto como “a peste” do navio, ou algo assim, mas como disse, estou longe de ser a única!

A chegada em Puerto Montt está prevista para às 7:30hs da manhã e o navio ficará ancorado ali até às 18hs. Em teoria, pela manhã, por voltas das 9hs, eu tenho que ir ver o médico para que ele me veja e TALVEZ me dê alta – estou apostando as minhas fichas nisso, porque não agüento mais ficar socada aqui dentro!!! As 48hs da aparição dos sintomas venceriam amanhã às 22hs, mas tenho esperanças de que o médico me libere antes, senão, ao invés de um surto de Nora Vírus, esse navio vai experimentar um “surto de Roberta”, que eu acho que, eles vão acabar achando BEEEEEEEEM pior!!! HAHAHAHA

Bom, amanhã escrevo mais – espero ter um dia mais emocionante para contar, apesar de saber que as possibilidades não são as mais promissoras – e se puder, depois das 22hs, vou acessar a internet para postar o que escrevi nesses últimos tempos e mantê-los updated sobre os acontecimentos a bordo!

 Escrito por Roberta Born às 23h49
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